epilepsia: conceito x preconceito
H I S T Ó R I A
D A
E P I L E P S I A
A idéia de uma doença atingindo um homem remonta ao antigo conceito mágico que todas as doenças eram "ataques" ou "capturas" feitas por deuses ou demônios.
Ou seja, o termo "epilepsia" adquiriu um sentido particular que os médicos daquela época preferiram chamar de "doença sagrada"( morbus divinus).
A primeira batalha ocorreu cerca de 400 A.C. quando Hipócrates atacou a explicação sobrenatural no livro sobre "A Doença Sagrada" (Chadwick e Mann, 1950).
Os autores argumentaram que o legado caráter divino era simplesmente uma cobertura para a ignorância e o tratamento falso. Portanto, a epilepsia não deveria ser tratada com mágica, mas com DIETA e drogas.
O Iluminismo do século XVIII e os avanços na neurologia no século XIX levaram a uma melhor compreensão da epilepsia e ao abandono da idéia da possessão como sendo sua causa. John Hughlings Jackson fundou a era moderna do estudo e conhecimento da epilepsia mediante uma análise cuidadosa de cada paciente com epilepsia.
A definição de uma convulsão por Jackson ("uma descarga eventual, excessiva e desordenada do tecido nervoso") desterrou as hipóteses mirabolantes sobre a epilepsia e inaugurou o longo e penoso caminho das descobertas sobre o diagnóstico e o tratamento da epilepsia.
A marcante descoberta do eletroencefalograma (EEG) humano por Berger em 1929 trouxe a ferramenta que facilitou a separação da epilepsia de outros distúrbios e ofereceu um recurso visual para testar teorias sobre a epilepsia.
Lennox (1960) escrevia que a epilepsia era um distúrbio dos ritmos normais do cérebro.
"Quando ordenado, o ritmo do corpo espelha saúde."
De todos os sistemas do corpo, o sistema nervoso central é o mais claramente cíclico em suas funções, e uma irregularidade recorrente de seu ritmo perturba muito profundamente as funções do corpo e da alma".
Lennox via a epilepsia como uma "anarquia da função celular, como o câncer é uma anarquia do crescimento da célula". Todas as formas de epilepsia originam-se de descargas neuronais excessivas e recorrentes que ocorrem em algum lugar do córtex cerebral.
Algumas vezes o local de origem pode ser facilmente identificado enquanto que outras vezes nenhum foco epiléptico pode ser encontrado (H. Jackson).
continua...